segunda-feira, 18 de julho de 2011

Miragem




















A onda sobre o rochedo é um pássaro, é medo,
Mas, sobretudo, é a vida que ora grita, ora cala,
Como uma órfã muda na obscura noite de mim.
Eu, degredado no abismo de água, pedra e sal,
Onde rugas tecem o tempo e o que não é tempo
E onde meus olhos guardam auroras e poentes
Desse teu corpo marítimo, solar, quase boreal.

Ali, antes, no improvável tempo, beijei teu lábio.
Eu, íntimo das insônias e das palavras parvas,
Amei-te como o vento à lua num deserto arábio,
Percorrendo dunas, sombras, curvas, paisagem,
Bebendo lua, estrelas, oásis, como um beduíno,
Até saciar a minha insaciável sede de ti, amada,
E descobrir que o amor é tudo/nada: é miragem.

2 comentários:

  1. Boa noite, Nivaldo!
    Gostei muito do poema e de outras escritas que encontrei por aqui. Ótimo blog. Parabéns!

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  2. Obrigado, José Eron, fico feliz de que tenha gostado do blog, mesmo estando um tanto quanto desatualizado. Abraços.

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