quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Poema in blues



Queria escrever um poema banal
Um poema que falasse de amor.
Do amor cotidiano, comum, fugaz,
Que mora nas margens, nos becos
E que súbito explode e se desfaz.

Queria um poema como fosse um pássaro:
Com asas, céu, nuvens e muita liberdade.
Um poema que ouvisse o mar em conchas
E traduzisse o canto triste dos crepúsculos
Que viaja nos olhos baços dos soldados.

Queria um poema despido de rumo e rima,
Como ave no horizonte líquido do silêncio,
Como um blues noturno no rio Mississipi:
Rouco, rústico, suado de auroras e desejos.
Um poema intenso, tenso, quase religioso.

Que expressasse da vida toda sua dor e beleza.
E que depois fugisse de mim, cioso, livre, ocioso,
E ganhasse o mundo, embriagado de incertezas.

0 comentários:

Postar um comentário